A Ditadura Militar é tida, para muitos, como um período obscuro da história do brasil. Para essas pessoas, com a democracia o país é livre, todos têm direitos, o povo tem voz ativa e mais um monte de adjetivos vazios que são utilizadas como parte indissociável desse tipo de regime de governo.
E quando se trata de brasil, é mais do que explícito a não-interferência do povo nas decisões governamentais. O que se faz, no máximo, é deixar para o povo questões que os destemidos governantes não querem se responsabilizar, como o direito da posse de armas. Qualquer que fosse o resultado final, a culpa é do povo.
Nesse brasil, funciona mais ou menos assim: viva o hexa! Viva a novela das 8! Viva o BBB! Viva o escândalo das cicarellis, a galinhagem dos ronaldos, a derrota do time adversário, a nova coreografia da banda de axé do momento, viva o carnaval, cadê o próximo feriadão que não chega logo?! O patriotismo aqui é só de 4 em 4 anos. Mas só se a seleção chegar até a final, caso contrário, a decepção, num passe de mágica, faz desaparecer o sentimento de amor à pátria.
E, enquanto isso, discursos contra a invasão americana, contra a emissão de CO2 e contra o efeito estufa, a favor dos animais, contra a prisão de menores de 16 anos e a favor da Amazônia brasileira esquentam as conversas nos bares, trens, ônibus, em qualquer lugar onde haja, ao menos, duas pessoas engajadas e patrióticas. Mas o melhor mesmo é discutir sobre política. Quem são os inocentes, quem são os corruptos, quem se preocupa com o país, com a população menos favorecida, com a classe média, com as pequenas empresas, com o déficit orçamentário, com a dívida externa, com a alta dos juros, da inflação, a valorização da moeda, a ajuda a países com altos índices de violência, como o Haiti. E dá-lhe FHC, Lula, Sarney, Maluf, Genoíno, Mário Covas, PC Farias, PMDB, PT, PSDB, PSOL, a PQP.
É um pouco difícil (ou decepcionante) entender que ninguém presta. Independente do partido a que pertence. Ou, se há alguém que realmente está lá afim de tirar esse país do buraco, é contagiado com as más intenções da maioria. Como diz o ditado, uma laranja podre na fruteira estraga todo o resto.
O interesse em ajudar a si mesmo e os companheiros é muito maior que ajudar o povão. Acreditar que um governante está preocupado em ajudar aquela comunidade pobre de Bertolínia é acreditar que as instituições financeiras querem emprestar dinheiro para ajudar quem está em dificuldade financeira.
É muito bonito se preocupar com os animais, com as crianças, com a fome no mundo, com a Amazônia, com os índios. Mais uma vez, discursos não faltam. Mas, enquanto discursos são proferidos para passar um status de quem se mostra preocupado com as injustiças sociais ou tentar convencer de que o PMDB é melhor ou pior que o PT, coisas como as do link abaixo acontecem. Isso se chama democracia. Isso é brasil! O país do carnaval, do samba e hexacampeão do mundo.
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